quarta-feira, 17.setembro.2014



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Corticosteróides e exercicios

 

Corticosteróides e exercicios
Os glicocorticóides (GCs) são corticosteróides, cortisona substâncias derivadas do colesterol, sintetizados e secretados pelas glândulas supra adrenais. Os GCs são hormônios que atuam no controle de genes envolvidos na regulação de funções metabólicas, cardiovasculares e imunológicas. Esse efeito se processa através do receptor nuclear de glicocorticóide (GR), que é ativado, transitoriamente, apenas após a exposição das células aos GCs
O termo "glicocorticóide" deve-se à ação dessas substâncias no metabolismo de carboidratos ( açúcares). No músculo esquelético, os GCs causam resistência à insulina, o que resulta em menor captação de glicose e redução da síntese do glicogênio muscular. Nesse tecido, também se verifica inibição da síntese protéica e aumento no catabolismo de proteínas que resultam em hipotrofia muscular. Os aminoácidos mobilizados, a partir do tecido muscular, são utilizados na gliconeogênese hepática. A resistência à insulina e o aumento na gliconeogênese, conjuntamente, resultam na hiperglicemia.
Na década de 1950, a descoberta do potente efeito antiinflamatório dos GCs levou à sua prescrição no tratamento de doenças reumáticas crônicas. Atualmente, os GCs sintéticos são bastante utilizados no tratamento de doenças auto-imunes e na prevenção da rejeição de transplantes . Entretanto, o uso crônico de GCs está associado a vários efeitos cardiometabólicos adversos. Assim como na síndrome de Cushing, causada por níveis elevados de cortisol no sangue, o uso crônico de GCs induz resistência à insulina, diabete, dislipidemia e hipertensão arterial. Se não tratada, a síndrome de Cushing pode resultar em óbito por doença cardiovascular.
Os GCs teriam um papel na origem da síndrome metabólica. Recentemente, demonstrou-se que elevada expressão gênica de GC no músculo esquelético está associada a menor sensibilidade à insulina. Por sua vez, a 11-beta-hidroxiesteróide desidrogenase, que converte cortisona (GC inativo) em cortisol (GC, biologicamente, ativo), também tem sido implicada no desenvolvimento da obesidade, na resistência a insulina e no diabete tipo II. Diretrizes clínicas sobre o tratamento e a prevenção da aterosclerose reconhecem o risco cardiometabólico causado pelo uso crônico de GCs e estimulam mudanças no estilo de vida como estratégia de promoção da saúde cardiovascular.
A atividade física regular é um importante recurso não-farmacológico no gerenciamento do risco cardiometabólico. No músculo esquelético, o exercício físico aumenta a captação e oxidação de glicose e de ácidos graxos a partir do sangue, melhora a sinalização insulínica, aumenta a atividade e expressão de transportadores e enzimas reguladoras do metabolismo de glicose e de ácidos graxos, promove biogênese mitocondrial e melhora a vasodilatação endotélio-dependente.
Entretanto, evidências científicas sobre o efeito do exercício físico nas alterações cardiometabólicas decorrentes do uso crônico de GCs ainda são escassas na literatura. Carlos Hermano da Justa Pinheiro e colaboradores fisioterapeutas do Centro de Ciências da Saúde, Universidade de Fortaleza fazem um estudo, sobre o impacto do exercício físico aeróbio sobre parâmetros cardiometabólicos em ratos tratados, cronicamente, com glicocorticóide por administração crônica de dexametasona (Dex - 0,5 mg/kg/dia i.p) em ratos.
Ratos Wistar machos (n = 24) foram divididos em quatro grupos: Grupo controle; Grupo treinado; Grupo tratado com Dex e Grupo tratado com Dex e treinado. O treinamento físico (iniciado 72 horas após a primeira dose de Dex) foi realizado 3 vezes por semana, até o final do tratamento. Ao final desse período, realizaram-se as seguintes avaliações bioquímicas: glicemia em jejum, teste de tolerância à glicose e análise do perfil lipídico no sangue que incluiu colesterol total (CT), LDL-c, HDL-c, VLDL-c e triglicerídeos (TG). O peso do músculo gastrocnêmio, análise histopatológica do fígado e os índices cardiometabólicos (CT/HDL-c, LDL-c/HDL-c e TG/HDL-c) também foram avaliados.
Observou-se hiperglicemia, menor tolerância à glicose, elevação do CT, LDL-c, VLDL-c e TG, diminuição do HDL-c, presença de esteatose hepática, hipotrofia muscular e elevação dos índices CT/HDL-c, LDL-c/HDL-c e TG/HDL-c nos animais tratados com Dex. O exercício físico reduziu a hiperglicemia, melhorou a tolerância à glicose, reduziu a dislipidemia e preveniu a esteatose hepática , a hipotrofia muscular e reduziu os índices CT/HDL-c, LDL-c/HDL-c e TG/HDL-c. Entretanto, não houve efeito significante do treinamento físico sobre o HDL-c.
oncluem os autores que o exercício físico aeróbio tem efeito protetor contra as alterações cardiometabólicas induzidas pelo uso crônico de glicocorticóides.




 

Fonte :: Arq. Bras. Cardiol. 93(4) out. 2009

 



 

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